Agora que já afastei tudo quanto é democrata cristão continuarei com a minha dissertação (único propósito de criar aqui um parágrafo, para além da questão estética).
Outras vozes se levantam também contra o casamento homossexual. Aparentemente há até uma associação que conseguiu juntar uma mão cheia de maduros que colectaram cerca de 90 mil assinaturas de pessoas que se gostam de meter na vida alheia (ironicamente esta associação exige um referendo, ferramenta da democracia, para impor uma limitação muito pouco democrática… Tapem os ouvidos aos militantes do PNR porque senão o próximo pedido de referendo vai continuar nesta linha algo fascista). A desculpa mais cómica é que a legalização do casamento gay é uma forma de desvirtuar os valores das famílias, pessoalmente diria que mal vai a família que perde os seus valores com base em acções de outros que ainda por cima não implicam com a sua vida…
Então e que tal deixarem-se de “mariquices” (termo bastante apropriado neste contexto) e meterem-se nas suas vidas? Com tantos problemas que o país enfrenta parece-me absurdo a quantidade de tempo desperdiçada neste assunto!
A primeira alegação parece-me patética. Haverá casais homossexuais promíscuos e com as suas taras, é certo, bem como também os há em casais heterossexuais (espantem-se senhores do CDS). Logicamente que não é qualquer um que pode adoptar uma criança, é preciso que o casal seja devidamente avaliado por um técnico de acção social que assegure que há condições para o bom desenvolvimento da mesma.
No que diz respeito à "gozação" de que as crianças serão vitimas... Enfim, palavras para quê? As crianças são seres particularmente cruéis e horríveis umas com as outras (meninas em particular, deixem-se de lamechices e observem os vossos “anõezinhos” no recreio da escola), quem não se lembra de no seu tempo de infância haver sempre uma mão cheia de desgraçados que eram gozados porque eram gordos ou tinham óculos (embora não tenha conhecido ninguém que soubesse estar entregue a uma instituição, certamente que as crianças também haveriam de gozar com isso)?
Por ultimo, aos que nem pensam antes de dizer que é fundamental uma criança crescer com uma figura de pai e uma figura de mãe, lembrem-se de que a criança que é posta para adopção não tem nem um nem outro... Foi vitima (e não venham com a famigerada historia da “vontade de Deus”) de uma concepção de um casal heterossexual, que, por opção ou por força das circunstancias relegam a criança a instituições.
Por uma vez, deveria-se por até o interesse das crianças em primeiro lugar e pensar no que seria melhor para elas! Será melhor serem acolhidas por alguém que as deseje e as ame, dando-lhes todas as condições para crescerem de forma sadia? Ou será que o desenvolvimento da criança deverá estar unicamente a cargo do estado, por vezes em condições dúbias e em falta de um carinho de alguém que possa ser reconhecido como pai e mãe (vá, não peguem nesta frase para distorcer tudo o que disse até agora) para satisfazer os preconceitos da sociedade?
Pois é verdade, em tempos de crise perde-se tempo com questões que nem deveriam ser questões... Tende-se a misturar todo um conjunto de preconceitos e crenças religiosas para justificar algo que não tem justificação e em nomes de valores no mínimo duvidosos.
A quem ler este post espero que possa reflectir nesta opinião, e se possível dê o seu contributo com um comentário.
Um grande bem haja,
GN
