sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Adeus Oprah…

Já não era sem tempo, finalmente, após 25 anos o seu programa chega ao fim! Claro que nem tudo são rosas e tal como os Delfins parece que a excelentíssima Oprah Winfrey quer regressar um ano depois numa outra estação televisiva. É pena…
Sei que por esta altura, as eventuais donas de casa que se tenham deparado com este post me estão a rogar pragas, mas sinceramente, entre ver a Oprah e a Júlia Pinheiro (ou quem quer que faça programas do mesmo género) não há qualquer diferença. O modelo é incrivelmente básico: temos o tema social que perturba a apresentadora (que por vezes se perturba demasiado com coisas de pouquíssima importância), o famoso (ou medianamente famoso) que vai lá falar da sua vida de forma muito pessoal (se possível à volta de um tema trágico) e por ultimo mas não menos importante, uma mão cheia de ilustres desconhecidos que vão expor a sua vida privada e chorar que nem umas “Madalenas arrependidas” durante o resto do tempo que dura aquele inferno… Assim se faz um programa vencedor que tornou aquela querida senhora na mulher mais influente do mundo (é preciso ter sorte).
Sim, também sei que vou ser rotulado de insensível, até mesmo de ignorante porque quem vê o programa atentamente diz que por lá se aprende muito (?) mas e que tal um programa a sério? Se é conhecimento que buscam vejam um dos muitos canais Discovery, Odisseia, National Geographic ou História. Se buscam informação e tragédia real têm uma vasta lista de programas de informação (para os mais desatentos, há canais que nem fazem outra coisa senão darem noticias durante todo o dia, onde os dramas são abordados de uma forma séria em vez de “hormonal”, fantástico não é?). E claro se querem “novela”, enfim, é mudarem para SIC ou TVI a partir de meio da tarde e caso não calhem num bloco publicitário terão a vosso favor mais de 80% de hipóteses de darem de caras com uma das muitas novelas nacionais ou brasileiras…

Pois é verdade, agastam-me esse tipo de programas que apenas alternam entre a coscuvilhice e a exploração da tragédia humana. Acho bizarra a necessidade que tanta gente tem de se imiscuir na vida alheia. Não digo que os problemas dos nossos pares não devam ser levados em consideração, muito pelo contrário, o que não me parece nada digno é explorar as suas tragédias por questões de audiências onde tudo é transmitido com um dramatismo falso! Sejamos verdadeiros, as historias da senhora que foi despedida, que tem todos os problemas de saúde que se podem imaginar, em que o marido a traiu e a filha fugiu de casa com um toxicodependente, por mais triste que seja (e é) ninguém se vai lembrar dela dois dias depois… Ou seja, durante uma hora é rir de coisas sem interesse e chorar lágrimas de crocodilo.
Vamos lá mas é ver coisas a sério, que nos dêem conhecimento, divirtam  ou façam pensar e esperar que a Oprah se reforme ao fim de um quarto de século de maus programas.

Um grande bem haja,
GN

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Chocolate Contradanças

Já tenho a vossa atenção? O titulo foi nesse sentido pelo menos. Prosseguindo…

O caso “face oculta” andava a passar-me ao lado. Já estou um bocado saturado de “casos” que aparecem com todo o mediatismo e depois dão em nada porque inexplicavelmente morrem sempre nos tribunais. No entanto, ao saber que este “doce de pessoa” estava indiciada mudei logo a minha postura e percebi que tinha de me inteirar da situação, e em boa hora o fiz! Apesar de repetitiva é sempre cómico ver este tipo de fenómenos a serem divulgados pela comunicação social. A primeira parte é sempre um pouco monótona, há senhores que revelam as noticias, carregadas de dramatismo, levam a publico os malvados que se andam a aproveitar dos dinheiros do povo. Até aqui raramente há algo de novo a apontar, eventualmente vão diferindo os esquemas que levam ao saque e os montantes em causa (tipicamente os montantes são tão elevados que mais milhão menos milhão já soa tudo ao mesmo), mas acho pouco interessante, é como não ver um jogo de futebol para depois andar a ver tudo quanto é resumo e comentário – apenas interessa aos mais tecnicistas. Eu cá gosto mesmo é do jogo em si! Gosto do chorrilho de disparates que se dizem, rio-me com as desculpas esfarrapadas e insulto aos árbitros quando estes dizem “Alto! Usar escutas já é batota!”. Isto sim faz vibrar, isto é espectáculo, isto é… Portugal no seu melhor.

Antes de qualquer dissertação da minha parte tenho uma sugestão: a criação de um manual de escutas para a PJ! Certamente que os senhores do outrora “Novo Mundo” já terão criado algo do tipo “Surveillance for dummies – phone tapping for complete idiots” (o qual carinhosamente traduzo para: “vigilância para totós – escutas telefónicas para perfeitos idiotas”).
Sim, sei que neste caso até estou a ser algo injusto, mas em abono da verdade acho que nunca vi nenhuma escutas com o mínimo de relevância a não serem anuladas. Há sempre qualquer coisa que as anula e tipicamente é sempre um pedido ou um impresso que não entrou a tempo e horas no tribunal para que as mesmas possam ser utilizadas.
Neste caso a coisa torna-se bem mais sórdida. Foram autorizadas as escutas a Armando Vara que terá tido conversas telefónicas com José Sócrates. Como o Primeiro-Ministro aparece em conversas, aparentemente pouco recomendáveis já que foram pedidas certidões das escutas resultantes, agora pede-se a nulidade das mesmas. Ora, o pedido de escutas foi feito para Armando Vara, logo, que sentido faz anular as mesmas só porque aparece o Primeiro-Ministro? Aparentemente o PS achou que isso fazia extremo sentido, daí ter aproveitado a legislatura passada para aprovar uma lei que impede que escutas que “envolvam” o Primeiro-Ministro, o Presidente da Republica ou o Presidente da Assembleia sejam utilizadas sem a prévia aprovação do Supremo Tribunal de Justiça. De resto bem se vê a preocupação de José Sócrates quando publicamente questiona há quanto tempo anda a ser escutado e se isso é legal. Segundo ele próprio, essas e que são as questões que ele quer ver respondidas!

Pois é verdade, continuamos a viver num país de barões, onde o factor “C” vale mais do que qualquer outro. Mantemo-nos  na nossa vidinha, indiferentes à falta de vergonha dos nossos governantes e da generalidade dos agentes de poder. Longe vai o tempo em que quando saia um escândalo deste calibre o acusado se desfazia em justificações (desculpas não pagam dividas e justificações de pouco ou nada adiantam, mas pelo menos havia um mínimo de vergonha por parte dos participantes). Agora passam logo ao ataque, viram a mesa e acusam-se as autoridades judiciais de atentarem ao seu bom nome! Gritam justiça (?) e mesmo depois de se saber os conteúdos das escutas (Apito Dourado por exemplo) ou de o tribunal os condenar à prisão com pena suspensa (o inesquecível caso Fátima Felgueiras) vêm para a porta dos tribunais dizer que justiça foi feita e que como se provou, não só estão inocentes (?), como são pessoas de bom nome, sérias e honradas como não há outras!
Caríssimos, se ponderam incorrer em actos de legalidade duvidosa avaliem bem a vossa condição. Uma coisa é certa, se não forem suficientemente ricos e influentes ou se não forem suficientemente miseráveis e atacarem em bandos, é certo e sabido que vão estar atolados em algum processo judicial que pode terminar bastante mal para a vossa parte, caso contrário, parece que o crime compensa...

Um grande bem haja,
GN

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Um dia nos transportes de Lisboa

“Coisas que me aborrecem”, esta seria outra hipótese para o titulo deste post. Como já estão a adivinhar a coisa hoje não correu pelo melhor. A bem da verdade, esta está longe de ser a 1ª vez.
Para quem não sabe, há umas semanas comecei a ir para o meu local de trabalho pela muito anunciada via dos transportes públicos. As publicidades são fantásticas, apregoam os transportes públicos como sendo algo que funciona, e há uns meses até o Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, deu ares de sua graça com uma dita corrida sem grande interesse entre uma bicicleta, um Porsche e o metro. A verdade porém é algo duvidosa, não sempre é claro, mas estou aqui para relatar o absurdo que é o meu percurso diário.

Começo então por descrever o percurso feito. Todos os dias apanho o comboio na estação de Carcavelos, saio em Alcântara-Mar e dirijo-me a pé para Alcântara-Terra. Por algum motivo (relativo a questões de  insegurança, assumo eu) retiraram o percurso coberto que ligava as duas estações. Para quem não conhece, as duas estações não estão propriamente próximas uma da outra e o percurso é bastante desabrigado pelo que se adivinha um Inverno animado. A ajudar à festa o cruzamento mais próximo de Alcântara-Terra é, na melhor das hipóteses, demoníaco e um verdadeiro teste à sobrevivência… Por ultimo apanho o comboio de Alcântara até Moscavide. No final do dia, como seria de esperar, o percurso é exactamente o inverso e foi no regresso que mais uma vez a coisa deu para o torto.

Tudo começou ainda no trabalho (claro que aqui não vou apontar o dedo à CP) em que depois de um dia até bastante pacifico houve pedidos de ultima hora. Faço o que posso para tratar do assunto e aí vou eu para a estação de Moscavide, assim que lá chego constato o que já suspeitava, perdi o comboio das 18h25 por 2 minutos. Aqui sim começo a desejar mal aos senhores que tratam dos horários da linha em causa, é que o próximo comboio que pára em Alcântara-Terra só passa às 18h55 (sim, mesmo em hora de ponta o comboio tem uma periodicidade de 30 minutos, coisa que dá imenso jeito). Ainda estou eu a recalcular os tempos de chegada a casa e oiço logo a malfadada voz mecânica que avisa atrasos de 10 minutos na linha… A estação de Moscavide é bastante manhosa, tal como quase todas as que servem o percurso que eu faço, portanto resolvi apanhar no primeiro comboio que apareceu de forma a ficar em Entrecampos e assim diminuir as chances de ser abordado por algum meliante que me alivie dos parcos pertences que transporto. Ao fim de mais de 10 minutos de atraso lá aparece o comboio para Alcântara-Terra. Saio da ultima estação, passo pelo dito cruzamento onde testo novamente as leis de Darwin(até à data posso dizer que tenho tido um sucesso notável em não ter apanhado com um carro em cima) e sigo para Alcântara-Mar o mais depressa que posso. Chego lá e claro, ainda vou a tempo de ver o comboio de São Pedro partir… Mais uma vez apanho o primeiro comboio que me aparece à frente, que era o de Cascais (não para em Carcavelos). Saio em Oeiras, espero que venha o comboio de Oeiras (não me enganei a escrever, há mesmo um comboio cujo destino final é Oeiras) e finalmente lá vem um comboio que para em Carcavelos. Chego ao meu destino às 20h07 (1h40 de percurso) e constato que já não consigo ir aos planeados treinos de Aikido. Ricos transportes, penso eu…

Pois é verdade, sem dúvida que se poupa dinheiro e é inquestionável que se preserva o ambiente, mas que tal fazerem uma rede de transportes a sério? É que cobrar a entrada de carros na cidade (ideia muito em voga  nas autarquicas) é muito fácil, criticar que leva transporte próprio está ao alcance de qualquer um, mas então e alternativas interessantes? O que é feito de transportes públicos que realmente funcionem, que não se atrasem e que tenham uma regularidade aceitável? Parece-me no mínimo patético que não exista uma ligação entre as duas estações de Alcântara, pior ainda o facto de não haver sitio onde atravessar no ultimo cruzamento(não quero nem pensar na quantidade de atropelamentos que de certeza já ali se deram) e por ultimo, o lastimável estado das estações (para além da degradação, boa parte delas não têm nem um posto da CP, apenas uma máquina de venda de bilhetes).
Por hoje fico-me por aqui, era apenas um desabafo.

Um grande bem haja,
GN

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Quando o biológico não é o melhor…

Ora cá estamos mais uma vez após uma pausa de quase duas semanas. Não foi por falte de noticias, felizmente essas nunca escasseiam, mas nem mesmo aquele circo que foi armado pelo mui ilustre Mário David (desconhecido até então mas cuja situação até lhe rendeu uma página no wikipedia) me despertou especial interesse para iniciar mais uma entrada neste meu cantinho.

Ao contrário do que o meu titulo possa sugerir, não vou falar de transgénicos, latifúndios ou da sobre exploração de galináceos através da utilização de luzes artificiais… Venho então mostrar a minha indignação pela repetida escolha por parte dos nossos tribunais em julgar a favor das famílias biológicas, como se o sangue falasse mais alto do que a razão. Muitos já não  se devem lembrar (eu pelo menos já me tinha esquecido) do caso Alexandra, mas de vez em quando a comunicação social até demonstra alguma competência.

Para quem não sabe do que estou a falar (talvez por só agora ter renunciado ao eremitismo) faço um pequeno apanhado. A história é incrivelmente simples, uma mulher de nacionalidade russa, que tinha hábitos duvidosos (de entre os quais o abuso de bebidas alcoólicas e de dar mais do que umas “palmadas pedagógicas” na filha), foi auxiliada por um casal português. Às páginas tantas deu a sua descendência à dita família que criou a menina como sua filha. Após uns anos nessa situação (a menina nem sequer falava russo), a mãe lembrou-se que afinal queria levar a filha para a sua terra natal, recorreu aos tribunais, e sem qualquer espanto a “justiça” deu toda a razão à mãe biológica (quem não se lembra do caso Esmeralda e de um outro que terminou tragicamente na morte da criança?). Tivemos portanto mais uma decisão judicial que não protegeu a criança (que é quem precisa de protecção). Passados poucos dias, numa chocante reportagem vê-se em primeira mão a mãe a abusar da menina agredindo-a violentamente e de forma injustificada (só espero que essas imagens tenham ficado bem cravadas na mente de quem deliberou o envio da Alexandra para o terror em que se tornou a sua vida). Agora (vi hoje a reportagem na RTP) a situação tomou tais proporções que são as próprias autoridades russas (que antes vieram também em defesa da mãe) que ponderam retirar a criança a Natália Zarubina (mãe), embora, ironicamente, avancem com a impossibilidade de a devolverem aos pais adoptivos uma vez que dizem não ter confiança num estado que envia uma criança para uma mãe bêbada e abusadora como Natália.

Pondo de parte os conflitos diplomáticos e os falsos moralismos, quem é que pode concordar com decisões judiciais deste calibre? Quem é que no seu perfeito juízo e de consciência tranquila pode tirar a guarda da criança, de uma família que mesmo com dificuldades a acolhe e a trata como verdadeira filha e a manda para o inferno que é a vida com uma mãe alcoólica e abusadora? Entristecem-me estas situações, fazem-me pensar que estamos num país retrógrado que se recusa a encarar as situações de frente…

Pois é verdade, quem me conhece sabe que não sou pessoa que goste de crianças, essencialmente afligem-me, mas revolta-me profundamente esta sociedade de falsas morais. Revolta-me a sociedade que se esconde por trás de frases feitas e sem significado como “as crianças são a alegria do mundo” ou “as crianças são o futuro”. Elas não são nem uma coisa nem outra. Elas são o fruto das nossas acções, muitas das vezes acções egoístas, irreflectidas ou acidentais. São seres que vieram ao mundo por nossa causa, por isso é bom a que as respeitemos e que como sociedade possamos proporcionar-lhes um futuro e não as condenemos à tortura e à miséria. É imperativa uma mudança de atitude, não para que as crianças sejam o futuro, mas para que possam ter um futuro.

Um grande bem haja,
GN

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

O copo meio cheio

Findo este ano (eleitoralmente falando) é hora de contar as armas. Todos os partidos fazem uso da aritmética, apontam-se as baixas dos adversários e fazem por enterrar os seus cadáveres (no caso de Manuela Ferreira Leite, enxotam a moribunda). Há no entanto algo que me desperta a atenção, algo de que nunca me havia recordado na minha (ainda curta) vida como ser politicamente atento (ou algo do género). Será que algum de vós sabe do que estou a falar? Vá, não se façam vocês de mortos, se o contador anda é porque andam aí! O que me tem fascinado nestas eleições é o optimismo exacerbado que as tem sucedido. Os menos perspicazes estarão a pensar que estou tolo, ou então que vivo num mundo à parte como o nosso presidente. Passo a explicar... Claro que não estou a falar do povo! O povo nunca esta optimista, nem pode estar quando vê o se que está a passar à sua volta, e a prova esta até na abstenção. quem esta optimista são os partidos! Depois de vastas semanas de casos de "asfixias democráticas" (termo que já aborrece depois de ter sido usado e abusado ate a náusea), de escutas (?) e de tudo o resto que pouco ou nada interessa para o desenvolvimento do país. Quem esta muito optimista é, logicamente, a classe politica! pelo que me lembro de eleições passadas isto tipicamente não acontecia... Em geral só um um partidos é que gritava vitoria (dois quando algum dos pequenos tinha mais meio ponto percentual do que era suposto) e os restantes voltavam à toca para lamber as suas feridas, mas este ano a coisa mudou. Francamente parece-me patético, uma manobra desesperada para convencer o publico de que tudo vai bem e de que o seu partidozinho é maravilhoso! Pessoalmente acho que tudo tem um ar mal encenado, atrapalhado e mesmo insultuoso para quem vê. O PS regozija-se com a magra vitoria, o PSD faz de triste fanfarrão a dizer que o povo lhes deu razão (só não deu a vitória), o CDS grita hurras e diz que para a próxima já vão discutir pelo menos o 2º lugar, o BE castiga Sócrates e festeja a subida para o 4º lugar e o PC festeja o 25 de Abril e o aumento do numero de votos apesar de ter perdido força no global... Assim foi por 3 eleições seguidas (mais coisa menos coisa), uns mais ridículos do que outros a festejarem vitorias que só existem na cabeça deles, cada um a analisar o sufrágio conforme lhe da mais jeito. Os que de facto aumentaram o seu "poder" têm razão para festejos, mas poucos foram os que conseguiram de facto essa proeza. Festejam o aumento do nº de votos da freguesia X, a diminuição do nº de eleitos pelo partido Y e o facto de terem derrotado uma das pouco competentes empresas de sondagens.

Pois é verdade, na ânsia de cativar votos, de se auto-glorificarem entrando numa espécie de onanismo politico a única coisa que conseguem é um publico cansado, confuso e cada vez mais despegado da vida politica. Era mesmo só o que faltava, depois de uma campanha baseada em casos negros, onde o debate de ideias foi propositadamente posto de lado (talvez por essas ideias simplesmente não existirem) resta-nos um rescaldo onde escasseia a verdade, onde a teoria do copo meio cheio é levada ao impensável, intelectualmente desonesto (como costuma dizer um amigo). era o desabafo de hoje, estou farto de eleições...

Um grande bem haja,
GN

sábado, 10 de Outubro de 2009

“Al-Qaeda usou bomba-supositório”

Foi com alguma perplexidade que ouvi esta noticia na Antena3 logo pela manhã a caminho do trabalho. Logicamente vi aqui material interessante para o blog, mas para isso necessitava de aprofundar o tema (é de evitar a piada bardajona...). Vai daí comecei por consultar novamente a noticia para obter mais pormenores, a consulta foi evidentemente efectuada no site do Correio da Manhã (jornal de referencia) e em mais uns quantos sites para perceber a posição islamita (particularmente da ala mais radical como a da Al-Qaeda) sobre a homossexualidade. Após esta pequena introdução se calhar já há por aí quem se indigne a dizer que há homens que tiram proveito do próprio esfíncter sem que com isso deixem de ser heterossexuais (acredito que sim, mas agora não me apetece ponderar essa possibilidade que tiraria o ridículo da coisa).

Vamos então aos factos. Como esperava, numa rápida consulta pela internet, a posição islâmica sobre os homossexuais (na entidade da legislação dos países islâmicos mais radicais como a Arábia Saudita, Irão, Mauritânia, Sudão e Iémen) é: "era mata-los a todos!". E por "era" leia-se "vamos"... Pois é, a homossexualidade é condenada da mesma forma que a infidelidade feminina o que consiste na "civilizada" pratica do apedrejamento até à morte. É por isso estranho que a Al-Qaeda (que como sabemos é grupo algo religioso e com uma pontinha de fanatismo) adopte um supositório de explosivos plásticos como método de ataque... Mais curiosa ainda foi a informação em que "tropecei" aquando das minhas buscas, é que parece que a Al-Qaeda alinha nas "farras" que ela própria condena (típico "faz o que eu digo, não faças o que eu faço"), aparentemente, uma das formas conhecidas de recrutamento por esta simpática organização é a sodomização dos jovens que querem recrutar! Segundo consta os jovens recrutas aceitam tornar-se bombistas suicidas para porem fim aos abusos... Enfim, outras culturas outros costumes, não só é estranho que uma organização que condena de forma tão veemente as praticas ditas homossexuais acabe por as utilizar para convencer outros a fazerem o seu trabalho como é também de espantar que uma pessoa depois de ser sodomizada contra sua vontade se faça explodir num sitio à escolha do seu agressor e pior, como "Pièce de résistance" onde é que o moço que foi sodomizado a contra-gosto guarda a bomba? Ora nem mais... Na mesma cavidade que fez dele um renegado da fé islâmica e que com algum jeito lhe daria o direito de levar com pedrinhas até que a sua alma fosse entregue ao criador! Sei que isto pode parecer coisa de gente ruim, mas acharia mais lógico, que, num caso desses fosse aproveitado o balanço dado pela situação para rebentar com o seu agressor.

Pois é verdade, isto parece ser transversal a todas as religiões (não se preocupem que não vou abordar o tema dos padres católicos com menores de idade), quanto mais radicais e pudicas são, pior é o resultado... É interessante (apesar de triste) ver como as religiões que pregam o amor incondicional do seu Deus entrem em cruzadas criminosas e que as que atiçam os crentes contra a "indecência" da homossexualidade violem os seus pares para os coagir, tudo em nome de uma fé. Se Deus existe, deve achar imensa piada a estes pormenores...

Um grande bem haja,
GN

domingo, 4 de Outubro de 2009

Politica com alma (as confissões e os punhos cerrados)

Durante a semana passada abundaram os comentários relativos à falta de notícias sobre as eleições autárquicas. Pois bem, atentos e perspicazes como são, os nossos candidatos autarcas resolveram logo dar ares de sua graça! Pena ter sido pelos piores motivos…

Quinta-feira passada Elisa Ferreira resolve bater na tecla “eurodeputada” por motivos que agora me escapam. Ou seja, após ter sido várias vezes questionada se iria ou não abandonar o seu cargo no parlamento europeu (para o qual foi eleita ainda no passado dia 16 de Julho) a deputada e candidata à Câmara do Porto resolve resolve dizer o que lhe vai na alma. Alguns dirão que ela disse a verdade e que assim se vê como ela é uma politica integra. Para mim, fico com a sensação de que estamos perante mais uma politica de escrúpulos duvidosos… Ora vejamos, Elisa Ferreira, sem “papas na língua”, desabafa “Eu perco uma gamela para vir para o Porto por amor à cidade”. É difícil perceber o que passa pela cabeça dos nosso políticos mas neste caso parece-me ser uma total falta de vergonha(?), ou então uma tremenda falta de tacto ao pensar que seria levada em ombros após tais declarações. A deputada já tinha feito esse erro aquando das eleições europeias, mas isto agora foi uma total falta de respeito! Na pratica ela assume que o parlamento europeu é para ela uma “gamela” e diz mesmo que pouco se faz por lá, o que só revela a sua fraca orientação para executar o trabalho para o qual concorreu e foi eleita. Curiosamente o que ela não foi capaz de dizer foi se deixará o parlamento mesmo que não ganhe a presidência da câmara (ficar como vereadora não deve compensar largar a gamela). Enfim, quando vale de tudo para atacar os seus opositores e vale tudo para se justificar o injustificável (ser candidata a CMP quando foi eleita há dois meses e meio para o parlamento europeu) estamos condenados a dar tiros no próprio pé. Honestamente não conheço muito o trabalho de Rui Rio mas com concorrentes destes, não tem nada que se preocupar com a sua continuidade na câmara. Estou convencido que só votarão na candidata do PS os distraídos e os clubistas partidários.

Noutra grande câmara nacional tivemos tristes cenas de “faca e alguidar”. Pois é, Sábado foi dia de passeatas dos candidatos à autarquia de Oeiras e, sabe-se lá como (o PS acusa alterações nos planos da campanha de Isaltino) as trupes de Isaltido Morais e Marcos Perestrello cruzaram-se em Algés. Sendo este um país alegadamente desenvolvido e democrático, não era suposto o cenário ter terminado em desacato, mas foi no que deu… Consta que começou com uns quantos insultos e descambou em confrontos físicos. É quase engraçado ver como apesar do nosso estatuto de país desenvolvido ainda continuamos a ter atitudes tão tacanhas como as que se verificaram, mas a verdade é que trágico. No campo do subjectivo, para mim, qualquer dos candidatos é mau. Isaltino está na linha Fátima Felgueiras (ambos julgados e condenados mas sempre à frente das respectivas autarquias) e Perestrello (quem?) é apenas mais um politico de carreira (muito na linha José Sócrates) que gosta de gritar e fazer discursos inflamados sem no entanto demonstrar grande conteúdo.

Pois é verdade, a nossa politica continua uma desgraça, diria mesmo uma tragédia! Estes foram apenas dois exemplos do que se passa, porque a verdade é que ou não se passa nada, ou quando há novidades mais valia que não as houvessem… Mantemo-nos rodeados por políticos incompetentes, pouco inteligentes, demagogos e em muitos casos, reconhecidamente criminosos (já para não falar dos que apenas levantam fortes suspeitas). Com panoramas destes começa a ficar complicado condenar a abstenção, mas como cidadãos temos o dever de não deixar o nosso destino nas mãos dos outros.

Um grande bem haja,
GN